Reflexões sobre as Redes Sociais e o Brasil

Não houve nenhum outro evento tão socialmente impactante (sem derramamento de sangue) desde o colapso do comunismo na política e o surgimento da teoria da sinalização nas ciências biológicas, quanto o aparecimento das redes sociais nas relações humanas.

Ambos eventos partem de uma mesma base psico-social – onde os indivíduos trabalham sobretudo porque querem se exibir para os outros e não pelo bem do grupo. Essa tendência de “autobranding” se aplica tanto na evolução quanto na economia humana. “O narcisismo não é algo novo; trata-se da norma evolucionária, na medida em que todo pavão se esforça para ser o preferido das pavoas”.

Partindo dessa abordagem inicial, podemos perceber que as redes sociais desempenham um papel fundamental na valorização da identidade brasileira no início do século XXI. Após anos de uma sociedade mergulhada na ditadura, a personalidade da marca “Brasil” acordou para uma reforma capitalista de bases neoliberais, que impactou não somente no sistema econômico do país, mas também em seus sistemas de comunicação.

De acordo com pesquisa de mercado divulgada no segundo semestre de 2010 pelo Instituto Nielsen, “os internautas brasileiros são os que mais acessaram as redes sociais em Abril de 2010, na comparação com outros países pesquisados”*. Esse elemento indica o alto grau de penetração dessas ferramentas nas atividades rotineiras da sociedade. O povo brasileiro busca maior aceitação de sua identidade no mercado global, impulsionados pelo aumento do poder monetário do Brasil perante a economia mundial, ocasionado pela formação do grupo BRICKS, onde nossa sociedade é apontada como economia em ascensão.

E o poder de compra do brasileiro realmente cresceu. Percebemos essa realidade como fator secundário que gera maior engajamento da sociedade nas principais redes sociais. Hoje a conhecida classe C é a nova classe média, e é impactada diariamente pelas marcas que estão presentes nessas redes. O indivíduo quer ter acesso a “toda novidade” e se sente estimulado a uma maior interação na rede pela presença no mesmo ambiente das outras classes A e D, com quem normalmente não interagia anteriormente. Essa reverberação de desejos e anseios, faz com que a classe C esteja em ascensão nesses meios. E o marketing sabe disso.

perfil-redes-sociais-brasil

As redes sociais possuem características psico-sociais muito nítidas. Enumerando cada uma delas, percebemos que a possibilidade de criar um Avatar de si mesmo, uma realidade virtual onde a pessoa enaltece suas características positivas e subtrai as negativas, é o que mais chama jovens e usuários para esse meio. Outra característica é a liberdade de expressão, que, conforme enumeramos nos primeiros parágrafos desse texto, veio após um extenso período de repressão do Estado aos principais veículos de comunicação brasileiros, com a ditadura. É como se o brasileiro despertasse de um sono pesado, e pudesse falar tudo o que pensa, sem filtros, gerando uma troca intensa de feedbacks qualitativos, o que torna cada internauta um formador de opinião em potencial, status quo antes só conseguido por intelectuais e a elite governista.

As características motivacionais acima mencionadas, trazem aos estudiosos uma percepção alarmante sobre quem usa redes sociais: com base na teoria biológica da sinalização, podemos compreender que o internauta deseja se mostrar o melhor possível, para assim “atrair” relacionamentos que lhe beneficiem como indíviduo. Mas também aponta que a auto estima inovadora do brasileiro, também é muito carente de visibilidade social. Isso implica no conceito de invisibilidade social, tão temido e constatado através de estudos sociológicos em todo mundo. Pelo conceito: “O conceito de Invisibilidade Social tem sido aplicado, em geral, quando se refere a seres socialmente invisíveis, seja pela indiferença, seja pelo preconceito, o que nos leva a compreender que tal fenômeno atinge tão somente aqueles que estão à margem da sociedade”**. O brasileiro teme a invisibilidade social, por ter sido visto durante tantos anos como “o sambista” “o povo do carnaval” e teme que essa “má fama” lhe faça perder a credibilidade e respeito adquiridos após as melhorias econômicas no país.

Fonte: digitaisdomarketing

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